Painéis de experiências em história pública


10 de setembro

Coordenação:

Adriane Vidal (UFMG)
Fernando Penna (UFF)
Laura Maciel (UFF)

 

 

Os 80 anos do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo: uma experiência em história pública

André Ricardo Valle Vasco Pereira e Júlia Ott Dutra

andre.r.pereira@ufes.br e juliaott_dutra@hotmail.com

Esta comunicação aborda uma experiência em História Pública que ainda está em andamento, mas se encontra em fase final. Trata-se da produção, por um grupo de pesquisa de cinco pessoas (um professor do Departamento de História da UFES e quatro estudantes de graduação da mesma instituição), de um livro sobre os 80 anos do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, comemorados em 2014. O texto foi concebido, desde o início, com o objetivo de atingir um público amplo, não acadêmico, constituído pela base da entidade e pela Sociedade de uma maneira geral. Neste sentido, o projeto faz um contraponto com obra anterior, escrita para lembrar os 60 anos da mesma organização e lançado em 1994. Na época, também foi criado um grupo de professores e alunos da UFES, gerando uma obra que ficou a meio termo de uma produção acadêmica e popular. Pensando de outra forma e em diálogo constante com a entidade, o atual grupo de pesquisa fez um novo levantamento de fontes primárias escritas e iconográficas, incluiu entrevistas não só com dirigentes (como no caso anterior) como também com bancários comuns e avançou até o período atual. O grupo iniciou os trabalhos em agosto de 2014 e uma de suas dificuldades foi o tempo exíguo para a pesquisa, o tratamento de fontes (fichamentos e transcrições de entrevistas), além da redação de um texto para grande público. O livro foi elaborado fugindo ao padrão de capítulos longos. Ao invés disso, sua unidade fundamental é chamada de “item”. Cada um deles foi redigido com um limite girando em torno de 500 palavras e acompanhado de imagens e trechos de entrevistas. A ideia foi a de usar as imagens e trechos como uma forma de ampliar o texto e não apenas de ilustrá-lo. O objetivo é que o leitor não especializado possa compreender o conteúdo e, além disso, dividir com as pessoas que viveram os fatos tanto os seus sentimentos, quanto atitudes e percepções de época. Na comunicação, buscaremos demonstrar as dificuldades que o grupo enfrentou para atingir tal objetivo. Em primeiro lugar, o espaço de 500 palavras demonstrou ser curto para dar conta da riqueza de informações e dos problemas interpretativos. Em segundo lugar, não foi fácil encontrar imagens e trechos de entrevistas adequados para cada item e, em particular, que cumprissem a intenção de ampliar o conteúdo. É mais fácil ilustrar do que ampliar o texto. Em terceiro lugar, o prazo disponível para realizar todas as tarefas pesou sobre o grupo, tendo em vista o lapso de tempo muito extenso, o grande volume de fontes e o fato de que a entidade em questão realizou muitas atividades diferentes, não se resumindo à luta sindical padrão de greves e negociações com empresários. Por fim, vale notar que o grupo foi contratado pela entidade para a realização da tarefa, de forma que um dos aspectos a ser discutido na comunicação é justamente este tipo de relação. Não houve censura ou interferência, mas um diálogo, que se intensificou no fim da experiência.

 

Memória e Reparação: Uma reflexão sobre narrativas de mortos e desaparecidos políticos no filme testemunho “15 Filhos”

Ana Cristina Rodrigues Furtado

cristinaclick9@gmail.com

No Brasil, no final da década de 1970 e início de 1980 intensificou-se a busca por mudanças. Em grande parte, a Lei da Anistia, de 1979, proporcionou uma espécie de esquecimento comandado sobre muitos acontecimentos graves ocorridos durante o regime militar, como a tortura, assassinatos, prisões arbitrárias, etc. Mesmo com esse processo de anistia irrestrita a torturados e torturadores, proliferaram-se denúncias e busca por informações por parte de grupos, familiares e amigos de pessoas que haviam sido mortas, presas, torturadas ou desaparecidas. Nessa busca por lembrar, narrar, e denunciar muitos filmes biográficos foram produzidos procurando (re) construir a trajetória desses personagens. Muitos deles foram elaborados a partir da iniciativa dos seus familiares, que resolveram narrar as suas histórias, um exemplo disso, é o filme testemunho “15 Filhos”, que foi produzido por filhos e filhas de presos e desaparecidos políticos no Brasil. O filme é dirigido por Maria Oliveira e Marta Nehring, ambas filhas de guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar no Brasil que além de dirigirem também, fizeram o papel de testemunhas trazendo os seus relatos sobre os pais. Através de depoimentos emocionados o filme mostra em 18 minutos e 39 segundos as lembranças sobre os acontecimentos vivenciados por aqueles jovens a partir da difícil relação com seus pais militantes. A narrativa em torno dos traumas nunca superados, a incerteza quanto ao nome verdadeiro dos pais, o período em que estiveram presos, a busca por um não esquecimento coloca em evidência a luta por restituição de direitos e reparação do passado. Diante desses elementos temos como proposta para esse trabalho investigar e entender na contemporaneidade a relação entre memória, esquecimento, ressentimento, reparação do passado e restituição de direitos. Todos esses elementos estão presentes nos discursos dessas testemunhas, que buscam instaurar uma luta contra a impunidade e o esquecimento. Percebemos assim, que à medida que essas histórias retornam, ou são mostradas e apresentadas através desse filme biográfico, as quais foram (re) construídas a partir do testemunho desses sujeitos que narram no presente um passado próximo, elaboram-se novas explicações e significações para o tempo presente. Este trabalho é parte do projeto de Iniciação Científica intitulado: “MEMÓRIA E REPARAÇÃO: Os usos do passado em filmes biográficos e narrativas de desaparecidos políticos no Brasil” financiado pelo CNPQ . O projeto é ligado ao Laboratório de Imagem, História e Memória-LABIHM da Universidade Regional do Cariri e que tem sob coordenação a professora Sônia Meneses Sônia Meneses Profa. Dra. do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri coordenadora do projeto “MEMÓRIA E REPARAÇÃO: Os usos do passado em filmes biográficos e narrativas de desaparecidos políticos no Brasil.

 

Memória, narrativa e tradição: as reinvenções do passado inscritas no universo virtual e os novos narradores do Cariri

Pryscylla Cordeiro Rodrigues Leite

pryscyllacordeiro@hotmail.com

Este trabalho pretende investigar como as narrativas tradicionais consolidadas ao longo do século XX sobre a região do Cariri Cearense chegaram à contemporaneidade e são reapropriadas através de blogs disponíveis no universo virtual difundido ideias que atribuem ao Cariri Cearense o lugar da cultura e de manifestações religiosas singulares. Tais discursos são um híbrido entre passado e presente e formulam identidades tendo em vista uma gama de acontecimentos de importância política, cultural e religiosa que eclodiram durante o século XX. Dessa forma, esses novos narradores colocam em ação uma série de estratégias para resignificar o patrimônio histórico e cultural do lugar em que vivem, reinventando o espaço na medida em que atualizam discursos sem deixar de ser influenciados pelas antigas tradições. Falamos dessa maneira em repertórios culturais que circulam, se modificam e criam a novidade sem perder totalmente antigos elementos de construção. Enfatizaremos assim “processos sociais de produção, circulação e consumo da significação da vida social” como afirma Cancline (2007, 41) entendendo a própria memória como um dos produtos de transformação e reinvenção desse lugar.

 

A Educação Física na Educação Popular: participação no processo de construção da identidade de crianças no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

Alexandre José Arcanjo

alexandre.jose.arcanjo@hotmail.com

Este trabalho tem por objetivo descrever a maneira como se desenvolve a Educação, principalmente a Educação Física, nos movimentos populares. Para isso busca compreender o processo histórico e social da Educação Popular e da Educação Física no contexto brasileiro. E também realiza uma reflexão de como foi o momento histórico pós-ditadura para a área da Educação Física e como se desenvolveu o conhecimento desta, numa visão humanista. Trata-se de um estudo da educação, do corpo e da cultura na constituição da identidade das crianças no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), apoiado em vários autores que refletiram sobre Educação Popular, Educação Física, Corpo, Cultura e Identidade. O trabalho se desenvolve primeiro de maneira teórica e em seguida parte para uma análise da práxis da Educação Física e da construção da identidade dentro do MTST. Neste sentido foi realizado pesquisa bibliográfica e trabalho de campo através de uma observação participante no “III Encontro dos Sem Terrinhas da Regional Grande São Paulo do MTST” com o setor de educação do Movimento. Por fim, foi filmado o encontro seguido de análise do vídeo e produção do texto. O tipo de pesquisa social desenvolvida apóia-se em dados sobre o mundo social, que são construídos e ao mesmo tempo resultam dos processos de comunicação, buscando não apenas elucidar os conceitos, mas, através da comunicação, dia após dia, demonstrar a construção e aplicação de uma proposta de educação emancipatória. E é neste contexto que a cultura corporal vai se materializando, através de práticas que vão se constituindo e ganhando significados e construindo valores e identidades que resgatam os elementos da classe trabalhadora para a classe trabalhadora. Neste cenário, o processo pedagógico para a materialização dos objetivos com as crianças, busca olhar o mundo a partir do ponto de vista da criança, revelando uma outra maneira de ver a realidade, em que cultura, história e saberes são valores de época, portanto a nossa vida pode inventar seus próprios valores e estes, que constitui as identidades individuais e coletivas, devem ser uma busca coletiva, como a própria realização deste trabalho, realizado sempre de maneira dialógica com os vários atores.

 

Os sentidos de História que circulam nos livros da Biblioteca Parque Estadual

Luisa da Fonseca Tavares e Jéssica de Oliveira Feliz

luisatavares@ufrj.br e jessica.de.oliveiraf@gmail.com

As Bibliotecas Parque do Rio de Janeiro têm se constituído como centros de informação, cultura e lazer. Trazendo uma nova concepção de biblioteca pública, ela vai além de apenas um local de livros, estudos, pesquisa e leitura. O conceito “parque” agrega a ela outras características e serviços tornando-a mais dinâmica e atrativa: lugar de encontro e convivência com computadores, filmes, música, teatro, exposições e gastronomia. Realizam-se inclusive atividades de fomento a leitura e é então, lugar de educação informal. Como espaço público e provendo um acervo moderno e programação para todas as idades, interessa-nos investigar que História circula por esses ambientes, pensando o passado como fonte de saber e reflexão importante na compreensão dos processos políticos, sociais e culturais do nosso presente. Portanto, objetivamos analisar os sentidos de História que estão imbricados na Biblioteca Parque Estadual, matriz da rede composta por Manguinhos, Rocinha e Niterói, por meio do estudo dos livros e suas temáticas que compõem as prateleiras da referida disciplina, tendo esse local como produtor de conhecimento histórico e logo, um campo da História Pública. Esse trabalho parte das discussões que o grupo de pesquisa que fazemos parte – o GECCEH (Grupo de Estudos Currículo, Cultura e Ensino de História) – tem se debruçado nos últimos tempos e gira em torno da produção, classificação e distribuição do conhecimento em questão em diferentes contextos.

 

O tempo histórico em aulas da educação básica: negociando a distância entre passado, presente e futuro em sala de aula

Hosana do Nascimento Ramôa

hosana_nramoa@yahoo.com.br

Nesta comunicação buscaremos realizar algumas análises sobre a concepção de tempo histórico com a qual lida o professor e seu modo de articular as dimensões temporais de passado, presente e futuro em aulas de história. Essa pesquisa foi realizada através da observação de duas turmas de um colégio particular na cidade de São Gonçalo. Durante o primeiro semestre do ano de 2014 a turma acompanhada foi a do sétimo ano, no segundo semestre iniciamos a observação das aulas do oitavo ano, muitas anotações foram feitas e as aulas foram gravadas em áudio. Seu acompanhamento faz parte do trabalho de campo da pesquisa “Negociando a distância entre passado, presente e futuro em sala de aula: a relação entre o tempo histórico e a aprendizagem significativa no ensino de história”, coordenada pelo prof. Dr. Fernando de Araujo Penna. Diante da experiência de vivenciar essas aulas, podemos notar a negociação do tempo histórico feita pelo professor através de vários argumentos com o intuito de garantir o pleno entendimento por parte dos alunos, tornando a História muito mais próxima para estes. Ao analisar o discurso do professor procuraremos evidenciar como ele constrói esses argumentos que estabelecem uma relação entre as dimensões temporais do passado, presente e futuro. Nosso objetivo é compreender as concepções de tempo histórico no ensino de história e como elas podem ajudar na dinâmica da aula garantindo uma aprendizagem significativa. Baseando-nos no tempo histórico segundo Reinhart Koselleck, o entendemos como a maneira pela qual o presente histórico articula as dimensões temporais de passado e futuro. O referencial teórico metodológico que orientará as análises será a retórica com ênfase em seu aspecto argumentativo de acordo com Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca. Dessa maneira procuraremos entender como é negociado pelo professor a relação entre passado, presente e futuro em sua dinâmica de sala de aula.

 

 

11 de setembro

Coordenação: 

Manuel Rolph Cabeceiras (UFF)
Miriam Hermeto (UFMG)
Valéria Magalhães (USP)

 

As vozes e os silêncios das ruas: uma discussão sobre o papel dos meios de comunicação na construção de narrativas históricas

Pedro Bogossian Porto e Mariana da Silva Rebello

pedro_bogo@yahoo.com.br; marianasrebello@yahoo.com.br

O presente trabalho tem como objeto de análise a execução da oficina “Comunicação tem história”, realizada no âmbito do Projeto Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da UFRJ, com alunos do Ensino Médio de uma escola da rede estadual do Rio de Janeiro, durante o segundo semestre de 2013. O objetivo central da oficina foi provocar a reflexão dos estudantes a respeito do papel assumido pelos meios de comunicação na sociedade. Sendo assim, a construção de um pensamento crítico acerca das diferentes interpretações dos meios de comunicação, bem como o seu uso por parte da população, imprensa e governos, permeou todo o processo de realização da oficina. Diante das profundas transformações na forma de se comunicar, sobretudo diante do processo de universalização da internet, estamos sujeitos a receber informações de diferentes fontes e perspectivas. Buscamos demonstrar, utilizando como exemplo as manifestações ocorridas no Brasil em junho de 2013, as diferentes abordagens acerca de um mesmo tema e construir, a partir desses casos concretos, uma reflexão a respeito da informação como objeto de disputa de poder político e social. Levar esse debate para a sala de aula proporcionou o questionamento dos discursos midiáticos, ao mesmo tempo em que demonstrou a sua força na produção de determinadas narrativas históricas. Dessa forma, acreditamos trazer para o campo da Educação a discussão acerca da produção da história pública, percebendo-a também como um campo de disputa.

 

Desmontar e remontar: historicidade e memória da exposição “Texto e contexto – educação em saúde pública” no Museu de Saúde Pública Emilio Ribas

Leonardo Azevedo Rabello Cunha

leonardoazevedocunha@gmail.com

Na atividade de desmontar a exposição “Texto e contexto: educação em saúde pública” no Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, vinculado ao Instituto Butantan, estamos desenvolvendo a documentação da exposição e procurando compreender a estratégia expográfica e as concepções envolvidas na produção narrativa que aborda a temática central. Um trabalho aparentemente simples, mas que está trazendo uma séria de questionamentos, que vão desde a procedência dos documentos e objetos até às escolhas dos elementos textuais, iconográficos e artefactuais dispostos com o objetivo de abordar uma história da educação em saúde desenvolvida pelo Estado. O Museu passou por diferentes momentos desde a sua criação, atuando com muitas dificuldades, o que não o impediu de se manter como uma instituição de referência em história e memória da saúde pública do estado de São Paulo, principalmente, devido ao importante acervo sob sua guarda. No entanto, sua história é um pequeno quebra-cabeça, cujas peças procuramos juntar. As exposições são de difícil datação, mas é possível identificar que estão lá, com pequenas alterações, desde o final da década de 1990. Sendo assim, buscou-se identificar: para qual público a exposição foi produzida; em quais períodos recebeu visitantes; quais concepções de história e de memória estão presentes; quais sínteses foram produzidas a partir de um eixo temporal articulador; quais concepções de educação em saúde foram apresentadas; como aparecem elementos como doença, médicos, medicina no quadro apresentado pelo espaço expositivo. A pesquisa é significativa tanto no âmbito de uma história das instituições museológicas como da história da história e da memória da saúde pública do Estado de São Paulo.

 

A fotografia digital como fonte histórica no limiar do século XXI

Valdir da Cruz Barbosa

bvaldir@gmail.com

A fotografia como fonte de pesquisa histórica no seu advento no século XIX foi alvo de criticismo pela historiografia até a sua consolidação no início do século XX. Com o advento da fotografia digital, este meio como fonte histórica está ameaçada pela falta de padronização de arquivos digitais, mídias eletrônicas de durações incertas, banalização de exposições fotográficas e o seu reduzido número de fotos impressas. A presente monografia reflete estas consequências em como faremos uma historiografia no futuro, ante as ameaças de obsolescências no resgate destas imagens.

 

Experiências em Memória Empresarial: O Caso IBGE

Raphael Pavão Rodrigues Coelho e Raíssa de Almeida Soares

shakeraphael@hotmail.com

A História Pública vem se consolidado nos últimos anos enquanto forma de linha de pesquisa. Dentre os variados tipos de utilização desta, o presente artigo se propõe a trabalhar com um dos campos mais comuns hoje em dia, porém nem sempre focalizado: a Memória Empresarial. Há, nos dias de hoje, uma demanda cada vez maior de empresas que investem em pesquisas históricas de diversas formas, utilizando-se da Memória Empresarial como opção. Os exemplos de empresas que utilizam o campo da Memória Empresarial para este fim são inúmeras: Organizações Globo; Banco Itaú, Coca-Cola e Votorantim são algumas que podemos citar. O uso é, em sua maioria, promovido pelos centros de Memória Institucional das empresas em questão. O objetivo deste artigo é questionar: O que é a Memória Empresarial? Memória Empresarial configura uma oportunidade legitima de trabalho para o historiador? O que faz o historiador em um Centro de Memória? Qual é de fato seu ofício? Qual a importância para as empresas de possuírem um Centro de Memória? Quais são os ganhos que este fornece para o nome das empresas citadas anteriormente? Os principais pontos identificados no presente artigo pretendem ratificar a importância da Memória Empresarial na contemporaneidade e esclarecer, também, sua relação com o ofício do historiador. Como exemplo concreto para o desenvolvimento de nossa discussão, utilizaremos os trabalhos e produções feitas pela equipe de Memória Institucional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

A Articulação entre diferentes saberes na construção de alternativas curriculares para o ensino de História no Ensino Fundamental

Piscila Artte Rosa Nascimento

priartte@yahoo.com.br

O presente trabalho objetiva apresentar as práticas e eventos educativos que estão ocorrendo numa escola pública da rede estadual, no município de Niterói, estado do Rio de Janeiro, desde o ano de 2013. A experiência a ser narrada se refere ao movimento processual e coletivo de construção de alternativas curriculares para a disciplina História no Ensino Fundamental e conta com a participação de diferentes sujeitos que vem agregando saberes com o objetivo de favorecer o surgimento de práticas que constituam o espaço educativo escolar como gerador de cultura e (re)signifiquem a sua função. Articulam-se neste processo a participação da professora de História responsável pela desenvolvimento do trabalho, os licenciandos que cumprem o Estágio Curricular Supervisionado, os bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), o coordenador de área do Projeto Pibid, os estudantes que fazem parte das turmas contempladas e outros que se interessam pelas propostas, e demais sujeitos que podem participar das atividades realizadas. Busca-se, dessa maneira, a criação de formas de enfrentamento da realidade educacional brasileira, tida muitas vezes como inexorável, a partir do encontro das diferentes lógicas e perspectivas sobre a História, valorizando os o saber acadêmico e também saberes outros num movimento dialógico e de emancipação.

 

“C. E. Prado Júnior, quem é você?” – Uma análise sobre a criação do Projeto Memória

Luciana da Costa de Santana e Carolina Pelle Ferreira

lucianasantana05@gmail.com; carolinapelle.ufrj@hotmail.com

O trabalho apresenta parte do Projeto Memória do Colégio Estadual Antônio Prado Júnior, elaborado no contexto do Programa de Iniciação à Docência da UFRJ. Esse Projeto tem por objetivo contribuir para o registro de uma memória da comunidade escolar visando não só o fortalecimento de seus laços identitários, bem como a construção de estratégias de ensino que possam promover uma articulação entre o conhecimento histórico escolar e as narrativas sobre o passado que circulam na comunidade. Para esse fim estão previstos três caminhos metodológicos: o uso da metodologia de História Oral para recolhimento, compilação e análise dos relatos de memória individual e coletiva, o uso da metodologia de oficinas pedagógicas para trabalhar com os estudantes a importância da recuperação da história do colégio e o uso do conceito de História pública para dar continuidade ao recolhimento e tratamento de documentos e fotografias, encontradas no próprio colégio ou em arquivos da cidade e do estado. Desejamos, ao longo do projeto, compreender o ambiente escolar e as relações desenvolvidas por aqueles que o frequentam, no intuito de contribuir para a construção de uma cultura histórica no seio da comunidade escolar.