GT 14 – História Pública: Turismo e Produção cultural


GT 14 – História Pública: Turismo e Produção cultural

 

Coordenadores:
João Domingues (UFF)
José Miguel Arias Neto (UEL)
Valéria Lima Guimarães (UFF)

 

O Rio como sala de aula: turismo e ensino de História na malha carioca

Monique Sochaczewski Goldfeld – CPDOC/FGV

moniquesgoldfeld@gmail.com

O intuito desta comunicação é compartilhar experiência precedente e projeto atual que lidam com o espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro como uma grande sala de aula, ou museu a céu aberto, para apresentar a alunos, turistas e moradores da mesma, seu passado global, com conexões outras para além da Europa. O estudo de caso a ser tratado com atenção é do “Rio Oriental”, que propõe percursos pela cidade a fim de apresentar e refletir sobre seu passado de ligação com a região conhecida atualmente como Oriente Médio.

 

As ações culturais do Departamento de Cultura na cidade de São Paulo através dos Parque Infantis

Lucas Garcia Nunes – UFF

lgarcia@id.uff.br

A proposta a ser apresentada é uma análise do projeto do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, coordenado por Mário de Andrade, a partir de 1935. O projeto do DeCult é considerado de grande importância para as políticas culturais brasileiras e para a produção cultural em nosso país. Trataremos do Departamento ressaltando em especial o projeto-piloto dos Parques Infantis administrado pela Divisão de Educação e Recreio na Seção de Parques Infantis. Este foi um dos primeiros projetos inseridos em novas possibilidades selecionadas pela equipe multidisciplinar que geria os diversos projetos, entre os principais: Bibliotecas Itinerantes, Discoteca Municipal, Rádio Escola, Orquestra Municipal, Biblioteca Infantil, Curso de Etnografia, Congresso Nacional da Língua Cantada, além é claro dos Parques Infantis. Importante aqui destacar a figura de Mário de Andrade, articulando e mediando as ações planejadas sistematicamente a frente do Departamento, com uma riquíssima bagagem em diversas áreas de atuação, foi uma personalidade de valor, por trazer novas concepções da cultura nacional em um momento que São Paulo, com esses equipamentos, indicava uma mudança. Modernizar São Paulo não só na estrutura física, mas também na formação cultural das pessoas que ali se estabeleceram. Claramente percebemos dentro das atividades promovidas nos Parques Infantis as práticas relacionadas ao folclore, à história oral, e o imaginário das crianças que frequentavam o espaço de diferentes descendências e idade, entre 3 e 12 anos, filhas de trabalhadores e operários das regiões periféricas da metrópole. Eram incentivadas através de desenhos (com estrutura adequada à produção), escultura, teatro, dança, práticas esportivas ao ar livre, além das práticas culturais a programação estimulava também a educação alimentar e higiene básica, auxiliadas pelas educadoras e instrutoras que compunham a equipe multidisciplinar dos Parques Infantis, ao lado de médicos, dentistas, nutricionistas e educadores. O projeto inovador, foi bem recebido e ao longo de um ano obteve ótimos resultados apontados pelas pesquisas realizadas nos primeiros Parques da capital paulista e publicados na Revista do Arquivo Municipal. A partir desses dados os pesquisadores e gestores poderiam traçar um perfil das crianças que participavam das atividades, pois além dessas referências foi proposto um cadastro com informações referentes ao estado físico da criança. Com uma programação rica e acompanhando os dados estatísticos os gestores articulavam as novas possibilidades de uma São Paulo moderna não só na estrutura, mas também no intelecto.

 

Polifonia de vozes: o multicultural planning como método de avaliação de políticas culturais produzidas no espaço urbano

João Luiz Pereira Domingues – UFF

joaolpdomingues@gmail.com

O artigo se dedica à reflexão em torno da relação entre as políticas culturais, a esfera pública e seus desdobramentos territoriais, tendo como acento a discussão metodológica. O que o artigo propõe ressaltar é a possibilidade de que certos grupos e indivíduos sejam invisibilizados ou não tematizados pela aparência consensual das políticas culturais. Desta feita, tenta-se aqui traduzir um modelo metodológico de planejamento urbano para fins de diminuição do risco de atrofia de expressões culturais na cidade. Ao tematizar o universo cultural na teoria do planejamento, o Multicultural Planning rejeita a adoção dos modelos de racionalidade instrumental em favor de um modelo de reconhecimento de experiências que ressaltam diferentes leituras sobre a construção da realidade e das diversas possibilidades de organização de práticas coletivas de administração e planejamento urbano e cultural.

 

 

 

Saberes e práticas turísticas e suas múltiplas interfaces com a história pública

Valeria Lima Guimarães – UFF

valeria@turismo.uff.br

O turismo é um fenômeno social de grande expressividade em nosso tempo e suas conexões com a história pública se dão de várias maneiras. Nesta apresentação pretende-se fomentar algumas reflexões sobre as diferentes formas de interação entre o turismo e a história pública, destacando-se algumas das práticas e saberes que promovem as aproximações entre as duas áreas. Dentre as questões a serem levantadas, citam-se, entre outras: 1. A história como uma disciplina escolar de fundamental importância para a formação global dos cidadãos e o despertar de seu interesse para o turismo, seja na condição de turista e/ou de anfitrião; 2. A construção de um saber interdisciplinar, valorizando a articulação entre teorias e métodos provenientes do saber histórico e do saber turístico no fomento de pesquisas, do ensino e da extensão envolvendo a história do turismo e a história no turismo; 3. A história como um recurso essencial para a atividade turística, nas suas mais diversas aplicações, como na formatação de atrativos turísticos, na consolidação de um segmento turístico comercial com um forte diferencial competitivo para muitos destinos (o turismo histórico ou turismo histórico-cultural), no uso da mão de obra especializada em história no turismo e no empreendedorismo de historiadores nos novos negócios do setor turístico; 4. O turismo como recurso didático para o profissional de ensino de história e a história como recurso didático para o profissional de turismo; 5. As representações e apropriações do passado histórico pelo turismo. Espera-se com tais reflexões destacar o potencial da relação história pública e turismo, valorizando a necessidade de um diálogo cada vez mais estreito entre os profissionais que transitam pelas duas áreas.