GT 02 – História Pública, biografia e literatura


GT 02 – História Pública, biografia e literatura

 

Coordenadores:
Adriane Vidal (UFMG)
Alexandre Moraes (UFF)
Benito Bisso Schmidt (UFRGS)
Maria Elena Bernardes (CMU-Unicamp)
Mateus Fávaro (UFOP)

 

A trajetória de uma vida: analisando as construções de “tempo” nas biografias de D. Pedro II (1999-2013)

Mauro Henrique Miranda de Alcântara – Instituto Federal de Rondônia

alcantara.mauro@gmail.com

Um dos personagens mais emblemático do Brasil Império, e mais conhecido pelo público, chama-se D. Pedro II. Emblemático pois ele é a referência de um “tempo histórico”, ou melhor, a construção de sua imagem sempre está refletida na estrutura sócio-política do seu reinado, no caso, o segundo da monarquia brasileira. Como escreve Le Goff (1999, p. 23-24), o sujeito histórico “constrói-se a si próprio e constrói sua época, tanto quanto é construído por ela”. Esse vínculo entre o personagem e o seu período histórico está tão estritamente ligado, que parece se tonar uma relação de simbiose, onde um não pode viver sem o outro. O monarca tornou-se a “chave principal para compreender a política imperial no Segundo Reinado” (ALCÂNTARA, 2013, p. 14). Entretanto, podemos nos perguntar se D. Pedro II fora fruto do seu tempo histórico ou fora construído assim? Diante deste cenário, o objetivo deste trabalho é verificar nas biografias produzidas sobre esse personagem, pela antropóloga Lilia Moritz Schwarcz (As Barbas do Imperador, 1999), e pelos historiadores José Murilo de Carvalho (D. Pedro II, 2007) e Roderick J. Barman (O Monarca-Cidadão, 2013), as (diferentes) concepções de tempo que são apresentadas nestas narrativas, na trajetória do Imperador. Para isso nos apropriaremos dos estudos do francês François Hartog, para verificarmos em qual(is) regime(s) de historicidade(s) se encontrava D. Pedro II. Acreditamos que o monarca possa ser encontrado no que Hannah Arendt descreve como “brechas do tempo” (HARTOG, 2013), ou seja, ele estava na fase de transição de dois regimes de historicidade. No entanto, a modelagem realizada pelas biografias sobre o personagem, levaram a construção e naturalização de um destes regimes, e sem problematizar a relação entre o sujeito histórico e o seu tempo.

 

 

Política e História em Oswald Spengler: o fenômeno político-intelectual do “Prussianismo e Socialismo” na Alemanha (1919)

Augusto Patrini Menna Barreto Gomes – USP

guto.patrini@gmail.com

Esta comunicação pretende analisar o livro “Prussianismo e Socialismo” (1919-1920) de Oswald Spengler, sob a perspectiva da História Intelectual, uma das obras de maior impacto político e editorial na Alemanha em meados de 1920. Segundo seu autor, este texto foi uma tentativa de explicação de “A Decadência do Ocidente”, e é uma obra importante pois evidencia, em certa medida, a forma que a historiografia teria se os historiadores profissionais seguissem a concepção histórica e a metodologia spenglerianas. Prussianismo e Socialismo foi escrito entre a publicação dos dois tomos de “A Decadência do Ocidente” (1918-1922), e talvez, sob o impacto de dois acontecimentos que sacudiram a Alemanha, a derrota de 1918, e o fracasso da Revolução de 1918. Trata-se de um livro de história mas também de um manifesto político, ampliação das ideias políticas contidas no livro anterior, violentamente antiparlamentar, e antiliberal. Uma crítica mordaz da República de Weimar que colocara no poder o pequeno-burguês que o autor desprezava. “Prussianismo e Socialismo”, livro de fácil leitura, atingiu um público mais amplo do que o difícil, extenso e complexo livro anterior. O socialismo de Spengler não era em nada parecido com o socialismo francês ou com aquele de Marx, era sim, herdeiro da teoria de estado de Hegel. Neste livro, Spengler reivindica o prussianismo como valor inerente ao “verdadeiro socialismo”. Apresentando os valores, segundo eles aqueles inerentes aos da Prússia/Alemanha: senso de dever, ordem, lealdade e disciplina – como valores essenciais ao socialismo do futuro; desqualificando ao mesmo tempo valores como “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” associados por ele a “decadente” e, para ele, “distópica” sociedade anglo-francesa. Sua utopia “reacionária” formula uma teoria “socialista” amalgama de economia estatal, autoritarismo burocrático e monarquia. Spengler deixa claro que o futuro da Europa estaria “inevitavelmente nas mãos da Alemanha” sob uma pretendida revolução idealista anti-iluminista. Este livro, publicado no começo de 1920, teve tanto impacto quanto seu livro anterior, e transformou-o em “apologista intelectual da revolução alemã direita”. O público alemão vislumbrou em “Prussianismo e Socialismo” uma possibilidade de escapar da destruição prevista pela “filosofia da História” da decadência spengleriana – por meio da “vontade de lutar”, pelo resgate da alma da Kultur alemã e ascensão de um novo césar. Neste livro Spengler reivindica o prussianismo como valor inerente ao “verdadeiro socialismo”. Apresentando os valores, segundo eles aqueles inerentes aos da Prússia: senso de dever, ordem, lealdade e disciplina – como valores essenciais ao socialismo do futuro; desqualificando ao mesmo tempo valores como “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” associados por ele a “decadente” e, para ele, “distópica” sociedade anglo-francesa. Sua utopia “reacionária” afasta-se completamente de qualquer tipo de liberalismo e de marxismo, formulando uma teoria “socialista” amalgama de economia social e monarquia. Spengler deixa claro que o futuro da Europa estaria “inevitavelmente nas mãos da Alemanha” sob uma pretendida revolução idealista. Este livro, publicado no começo de 1920, teve tanto impacto quanto seu livro anterior, e transformou-o em “apologista intelectual da revolução alemã direita.” Existia em Prussianismo e Socialismo uma possibilidade de escapar da destruição prevista por sua “filosofia da História” da decadência – por meio da “vontade de lutar”, pelo resgate da alma da Kultur alemã e da possível ascensão de um novo césar.

 

Viúvos, Orfãs e Solteironas: o mercado de matrimônios nordestino na primeira metade do século XX contado pela vida de Laura

Josefa Nunes Pinheiro – Universidade Estadual do Vale do Acaraú – Uva – Ceará.

kacildanunes@uol.com.br

Trata-se de um estudo biográfico que procura compreender a configuração sociofamiliar do nordeste do Brasil na primeira metade do século XX. A pesquisa é uma tentativa de reconstrução biográfica da história de Laura, uma cearense órfã que se casa aos quinze anos com Januário, um viúvo que já tinha quinze filhos, passados 10 anos eles já migraram para São Paulo e ela se suicida antes dos 30 anos de idade deixando mais nove filhos de Januário. A pesquisa procura reconstruir sua história inserindo-a no seu tempo e espaço histórico, buscando identificar na sua história vestígios das transformações nas estruturas econômicas nordestinas, como o apogeu da cultura do algodão que se traduziu, dentre outras formas num surto de desenvolvimento industrial; de mudanças na estrutura política com a consolidação da república e as novas formas de organização do poder local, e todos os seus desdobramentos jurídicos que impactaram diretamente na configuração sociofamiliar; e das mudanças e permanências culturais e científicas que atuaram na criação e negociação da identidade histórica da família. A pesquisa foi organizada em três momentos: no primeiro o levantamento demográfico da região, feito nos registros de cartórios, nos livros de batizados, casamentos e mortes da igreja e nos registros de Censo, que permitem conhecer a configuração das famílias em seus aspectos quantitativos. Nesse momento deu-se ênfase aos impactos da mortalidade materna e infantil no desenho familiar e ao surgimento das famílias reconstituídas; no segundo foram investigados aspectos mais subjetivos da configuração sociofamiliar como a cultura material, por meio de inventários e testamentos; e por fim investigou-se pistas que permitiram reconstituir os costumes, as tradições, os valores, as normas e a mentalidade da família no início do Século XX por meio da análise de jornais de circulação local. A temática de estudo “família”, costurada por meio da pesquisa biográfica, possibilitou uma abordagem transdisciplinar à medida que se constrói na interface entre as discussões de história local, história social, história cultural, história de gênero, demografia histórica, história das mulheres, história da família e história pública. Informo que se trata de uma pesquisa em andamento que apresenta resultados preliminares, uma vez que o objetivo maior é a construção da biografia de um dos 32 filhos de Januário, filho de Laura, que ainda está em andamento.

 

 

 

Entre a crítica, o público e o autor: construção de sentido e crítica social em Brave New World de Aldous Huxley

Rafael da Cunha Duarte Francisco – Universidade Federal do Rio de Janeiro

rafaelcfrancisco@hotmail.com

Esse trabalho tem como principal objetivo discutir a recepção do romance Brave New World, escrito por Aldous Huxley em 1932, especialmente na Europa e nos Estados Unidos entre os anos 1930 e nos aproximando da contemporaneidade. Normalmente compreendido pelo público em geral como sátira à sociedade da década de 1930, o romance de Huxley constitui-se para esse mesmo público como um símbolo da resistência e da crítica tanto aos usos desmedidos da ciência quanto à irracionalidade do sistema capitalista. Essa interpretação foi e é, até os dias de hoje, fortemente reiterada tanto pela crítica especializada, especialmente por acadêmicos norte-americanos, quanto por grandes parcelas do público leitor em geral. No entanto, a convergência entre público e crítica na consolidação desse sentido parece muito frágil se observarmos alguns dos ensaios de Aldous Huxley durante o período que precede à escrita de Brave New World. Entre os anos de 1920 e 1930, muitas das práticas que aparecem em seu romance – o controle de natalidade, a eugenia e o governo aristocrático, apenas citando algumas entre as muitas abordadas por ambos – são largamente defendidas como meios desejáveis para a construção de uma sociedade ideal. Seus ensaios revelam para o leitor um intelectual com opiniões muito diferentes daquele que tanto público quanto crítica, em uma operação mútua, construíram e ainda hoje constroem. Desse pequeno descompasso entre o escritor tal como ele se apresenta em seus ensaios e dessa memória que a crítica canonizou, surgem muitas das perguntas que orientam esse trabalho: como crítica e público simplesmente ignoram essa verve cientificista e aristocrática em detrimento do seu oposto, ou seja, da idealização de um intelectual que busca derrubar a sociedade na qual está inserido? Para além disso, nos perguntamos também qual é o papel do próprio Aldous Huxley na construção dessa auto-representação idílica frente ao seu público. A questão central aqui é tentar perceber quais mecanismos foram mobilizados pelo público, pela crítica e pelo próprio autor para a construção do que hoje compreendemos como o(s) sentido(s) de Brave New World.

 

A apropriação do Jeca Lobatiano pelos “novos Bandeirantes”

George Leonardo Seabra Coelho – Universidade Federal do Tocantins

george.coelho@hotmail.com

É recorrente, em muitas investigações históricas, o interesse pela aproximação entre a literatura verdeamarela e o projeto doutrinário do Estado Novo. Em muitas destas pesquisas, a obra de Cassiano Ricardo é representativa de um dos caminhos possíveis. O poeta surge como um dos principais ideólogos estadonovistas, de forma que a sua obra poética e ensaística são apresentadas dentro de uma continuidade discursiva. Tal continuidade se iniciaria com o poema Martim Cererê publicado no final dos anos vinte, tendo o ensaio Marcha para Oeste publicado em 1940 como resultado político dos enunciados propostos em seu poema. De acordo com essas perspectivas, a apropriação e ressignificação do “mito bandeirante” realizada por Cassiano Ricardo em sua produção literária e política vieram a justificar simbolicamente o Estado Novo. Com o intuito de aprofundar os estudos sobre a trajetória literária e política deste intelectual, algumas questões nos chamaram a atenção. Uma delas pode se referir à adesão tardia de Cassiano Ricardo ao modernismo, a qual deixou marcas no poema Martim Cererê. Frente às várias edições do poema, observamos que o poeta modificou o texto inicial, ou seja, do poema inicial do final da década de 1920 ao poema do início da década de 1940, encontramos um texto em contínua reconstrução. Neste sentido, alguns enunciados encontrados no poema final seriam avançadíssimos para sua primeira escrita, assim como, os enunciados do poema inicial não supririam as necessidades políticas do contexto de suas últimas publicações. Esta comunicação tem o intuito de discutir a concepção pedagógica de Educação Rural dos “novos bandeirantes”. Os “novos bandeirantes” foram um grupo de intelectuais paulistas que se organizaram nos anos de 1935-1937 com o intuito de combater o comunismo, o fascismo e a liberal democracia no Brasil. Tendo a frente do movimento Cassiano Ricardo e Menotti Del Picchia – escritores que compunham a corrente do modernismo intitulada de verdeamarela – os quais arregimentaram uma diversidade de intelectuais preocupados com os rumos políticos da Nação. Um dos pontos principais que eles se detinham era com a educação, onde a qual deveria formar, tanto o trabalhador ordeiro, quanto elite intelectual. No que concerne ao trabalhador rural, os “novos bandeirantes” realizaram a apropriação do Jeca Lobatiano com o intuito de introduzi-lo nos debates educacionais. Iremos apresentar como esses intelectuais paulistas se apropriaram do personagem de Monteiro Lobato para inserir uma modalidade específica de ensino e instrução para as populações rurais.

Biografia de Tibúrcio Ferreira de Sousa: sobre as comemorações do seu centenário de nascimento.

Karla Cristine Rodrigues – Universidade Federal do Ceará

karlacristine@alu.ufc.br

Com título de “Tibúrcio, O Grande Soldado e Pensador”, Eusébio de Sousa organizou uma biografia sobre Tibúrcio Ferreira de Sousa, publicada pela primeira vez em 1937, no centenário de nascimento. A biografia foi lançada em meio às comemorações públicas realizadas na Praça General Tibúrcio, esta que, além de receber nome em homenagem tem ao centro uma estátua do general erigida em 1888, dois anos após sua morte. Ele teve lugar nessa, que era a principal praça da cidade localizada em frente ao Palácio do governo; no Museu Histórico com “objetos biográficos” e encomenda de uma tela que o representava em tamanho natural; permeou também as Revistas do Instituto do Ceará. General Tibúrcio foi, portanto, eleito e promovido como herói do Ceará, sobretudo, herói republicano cearense. Eusébio teve papel fundamental como intelectual na escrita da História do Ceará, tendo sido o primeiro diretor do Museu Histórico do Ceará e do Arquivo Público, além de membro do Instituto Histórico do Ceará; sua perspectiva de História era centrada nos heróis e homens ilustres, contada por meio de grandes fatos e vidas exemplares, como para ele, era o caso de Tibúrcio. Biografar é organizar o tempo de uma vida, conferir determinada ordem e construir um sentido. Por isso é necessário, sobretudo, pensar o autor da biografia, temos então o “sujeito da enunciação” e no “sujeito do enunciado”. Afinal, quem biografa realiza uma ação e essa escrita é interessada. Ainda que na narrativa o autor não exponha de forma clara que ali se trata de um empreendimento biográfico, a intenção de quem biografa é de publicizar uma vida. Torna-se necessário debater sobre os interesses de quem aciona as necessidades de lembrar determinado passado e de torná-lo público. Comemorações, inaugurações de monumentos, escritas de biografias são maneiras pelas quais se busca tornar pública a História. A História Oficial, produzida nos espaços do estado também apresenta essa característica de se pretender pública, inclusive para se validar. Nosso interesse é pensar sobre as formas pelas quais se buscou tornar público esse chamado herói, no caso desse texto e comunicação oral de pesquisa, através da escrita dessa biografia. Entendendo-a como “lugar de memória” que surge diante de uma demanda do presente, em sua relação com futuro e passado. Portanto, as discussões sobre “História Pública” contribuem para a reflexão mais atenta sobre a relação entre A História e O Público.

 

A representação do “Conflito de Canudos” na Literatura e no Jornalismo

Ester Sanches Ribeiro – USP

esterletras@yahoo.com.br

O Conflito que ocorreu em Canudos, no final do século XIX, foi reconhecido mais que um advento local e passou a figurar como um dos mais notáveis movimentos sociais no Brasil. A repressão a esse movimento, como se sabe, foi violenta e esmagadora dos sertanejos insurgentes; também se sabe que o exército penou quatro expedições para conseguir seu intento: destruir o arraial e a sua população. Sabemos que a atuação do exército foi incompetente, a partir de estratégias ineficientes, desconhecimento do sertão e dos sertanejos, escolha errada dos uniformes, entre outras falhas. Enfim, sabemos que os militares agiram criminosamente ao torturar os sertanejos, obriga-los a dar vivas à república, degolar homens, velhos, mulheres e crianças e, por fim, atear fogo no arraial com pessoas ainda nele. Diante disso, a população brasileira se indignou e até se revoltou com os crimes contra pessoas inocentes e até certo ponto indefesas. Esse conhecimento e contato que tivemos com essas peripécias da campanha contra Canudos se deveu inicialmente à atuação do jornalismo e depois da literatura. Propomos, portanto, um confronto de análise desses dois meios de comunicação e arte tão importantes para a construção da história e cultura tanto do Brasil como do mundo. Esses dois suportes podem ser considerados como meios testemunhais de acontecimentos importantes para se construir a memória e a cultura da nossa sociedade. No entanto, devemos desconfiar dos meios de comunicação, pois diferente do que se propõe não são completamente imparciais e objetivos. Então, objetivamos analisar Literatura e Jornalismo e suas ideologias e problematizar esses dois meios quanto à objetividade da construção da realidade do povo e da guerra de Canudos. Analisamos Os sertões de Euclides da Cunha como o representante da Literatura e as reportagens dele enviadas ao jornal O Estado de S. Paulo como representação da atuação do Jornalismo. Sabemos que as contribuições desses dois suportes analisados vão além desses dois exemplos de análise, por isso apresentaremos, também, porém bem sucintamente uma impressão de diversos estudiosos de Canudos acerca da atuação dos principais jornais do Rio de Janeiro, a cidade mais influente da época. Também apresentamos outros livros literários sobre Canudos publicados na época do conflito. Nossa intenção é apresentar um conflito que deve resistir na nossa memória, pois representa a cultura e sofrimentos do povo brasileiro.

 

 

História Pública e Literatura: reflexões sobre a audiência

Alexandre Santos de Moraes – UFF

asmoraes@gmail.com

O trabalho visa levantar algumas questões e problemas a respeito da noção de audiência. O ponto de vista adotado põe em perspectiva alguns postulados em torno da importância que o público adquiriu para a compreensão da Literatura Grega Arcaica e visa, a partir deste ponto, refletir sobre a posição que os historiadores assumem em relação às potenciais audiências no âmbito da História Pública.