GT 11 – História Pública e Plataformas Digitais


GT 11 – História Pública e Plataformas Digitais

 

Coordenadores:
Anita Lucchesi (Blog Historiografia na Rede)
Bruno Leal (UFRJ)
Ricardo Medeiros Pimenta (IBICT)

 

 

A Base de Dados Mapa/SIAN do Arquivo Nacional: Alguns apontamentos sobre um trabalho de pesquisa e divulgação histórica

Angélica Ricci Camargo – Arquivo Nacional/ UFRJ

angelicaricci@gmail.com

Esta comunicação propõe-se a apresentar o trabalho de divulgação histórica desenvolvido nos últimos anos a partir da Base de Dados Memória da Administração Pública Brasileira – Mapa, que integra o Sistema de Informações do Arquivo Nacional – SIAN. A Base de Dados Mapa, experiência pioneira na utilização do computador como suporte para a pesquisa, foi criada na década de 1980 como parte de um programa maior destinado a atender as demandas de identificação e organização da documentação recolhida ao Arquivo Nacional. Disponível via web desde 2007 e constantemente atualizada, constitui-se uma importante ferramenta de disseminação de informações sobre a história da administração e das políticas públicas no Brasil. Tendo como principal fonte a legislação, a consulta na Base Mapa possibilita recuperar a trajetória histórica de centenas de instituições existentes do período colonial até a atualidade, fornecendo dados como data de criação, estrutura, competência, alteração de nome, subordinação hierárquica e ministerial, natureza jurídica, data de extinção e a linha de órgãos antecessores e sucessores. Além disso, permite acompanhar o desenvolvimento de determinada função como objeto de interesse do Estado ao longo do tempo ou a reconstituição do quadro político-administrativo de um período histórico específico, oferecendo um retrato detalhado da dinâmica da administração pública brasileira.

 

Participação pública e colaboração na construção do “Atlas Digital da América Lusa”

Tiago Luís Gil – Universidade de Brasília

tiagoluisgil@gmail.com

O Atlas é uma proposta colaborativa, que congrega pesquisadores de diversas instituições. A ferramenta base foi desenvolvida pelo Laboratório de História Social (LHS) da Universidade de Brasília, usando tecnologia do Ministério do Meio Ambiente, o software I3GEO. O LHS/UnB também produziu mapas base com informações de unidades urbanas e populacionais do período entre 1500 e 1800, além de outros bancos de dados de informações geográficas. Sendo uma ferramenta colaborativa, no espírito da chamada web 2.0 no qual há enfase no trabalho de equipe e troca livre de informações, o ATLAS DIGITAL DA AMÉRICA LUSA é um espaço de interação. Nele podem ser publicados dados espacializados de diversas pesquisas ou mesmo informações que possam passar pelo processo de geoprocessamento a cargo do LHS/UnB. A ideia é que diversos pesquisadores possam enviar informações de seus estudos e, ao mesmo tempo, usufruir deste grande banco de dados coletivo revisado, organizado e certificado, assim como da cartografia produzida.

 

Website “Santa Afro Catarina”: pesquisa histórica, acervo digital e ações de Educação Patrimonial

Andréa Ferreira Delgado – UFSC

andreadelgado@uol.com.br

O Programa de Extensão “Santa Afro Catarina” associa a pesquisa histórica com um conjunto de ações em educação patrimonial com o objetivo de delinear, registrar e divulgar os marcos da história e da memória dos africanos e afrodescendentes presentes no espaço urbano da Ilha de Santa Catarina. Embora na última década uma significativa produção historiográfica permita vislumbrar a presença desses homens e mulheres numa gama variável de atividades e de espaços sociais desde o período colonial, esses sujeitos históricos estão ainda em grande parte ausentes da história local trabalhada nas escolas e daquela divulgada nos guias turísticos. Para articular um conjunto de projetos que procuram ressignificar o espaço urbano e propor novas abordagens para o ensino da História Local e o turismo cultural, produzimos o website “Santa Afro Catarina”, composto das seções: “Acervo” – acervo digital de documentos selecionados em arquivos e bibliotecas, organizados segundo sua tipologia em “Manuscritos”, “Impressos”, “Imagens”, “Objetos”, “Mapas”, “Entrevistas” e “Vídeos”; “Temas” – narrativas temáticas acerca das experiências de africanos e afrodescendentes na Ilha de Santa Catarina (“Viver de Quitandas”, “Devoção ao Rosário e Festas de Africanos na Ilha”; “A Desterro de Cruz e Sousa”; “Armação baleeira da Lagoinha e engenhos do Ribeirão da Ilha”; “Porto antes do Miramar”; “A Lagoa também é dos pretos”; “Reformas urbanas no pós-Abolição”, “Armação da Piedade e engenhos em São Miguel”) compostas a partir da pesquisa histórica e do referencial teórico da micro-história; “Roteiros Históricos” – construídos a partir das narrativas temáticas, configuram diferentes itinerários para percorrer lugares do centro de Florianópolis e dos bairros do interior da Ilha; “Na Escola” – composto por um conjunto de atividades que agenciam os documentos do “Acervo” e promovem a leitura dos “Temas” e também por relatos de experiências de Educação Patrimonial. Na produção do website, nossa preocupação foi estimular diferentes percursos de leitura e de pesquisa, configurando apropriações diversas do conteúdo disponível. Por exemplo, as narrativas da seção “Temas” apresentam links para acesso aos documentos e aos pequenos textos acerca de algumas pessoas, lugares e eventos citados. Para estimular o uso do website no ensino de História, o professor encontra atividades que exploram os documentos correlacionados aos “Temas”ou ainda ao navegar pelo “Acervo” e se deparar com várias atividades para cada tipo de documento. Os Roteiros Históricos também podem ser agenciados a partir de diferentes estratégias, visto que tanto possibilitam a apropriação para ações de educação patrimonial – como vem ocorrendo por meio da oferta de Roteiros conduzidos por bolsistas para escolas da Educação Básica, moradores e turistas -, quanto podem proporcionar o planejamento de Roteiros auto-guiados por meio da utilização dos folders dos Roteiros Históricos – que apresentam um mapa histórico da cidade, onde são sinalizados os pontos do percurso, acompanhados de um breve descrição – e também pelo recurso disponível no site de marcar cada Roteiro Histórico na plataforma do Google Maps para localizar no mapa atual de Florianópolis os itinerários do Roteiro, possibilitando que, ao clicar cada um dos pontos, o internauta tenha acesso a mesma descrição presente no folder.

 

A circulação pública da narrativa e das representações históricas da série de jogos eletrônicos: Assassin’s Creed (2007-2012)

Robson Scarassati Bello – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

robsonsbello@gmail.com

Esta comunicação tem como objetivo pensar a série de jogos eletrônicos Assassin’s Creed como objeto de pesquisa para a história pública em seu caráter transmídia. Nos diferentes produtos desta série de jogos, tempos históricos distintos – tais como as Cruzadas, a Renascença, a Revolução Americana e o Caribe do século XVIII – são representados dentro de uma linguagem própria em sua narrativa, jogabilidade e espaços reconstituídos a serem navegados. Estas representações devem ser pensadas em um circuito industrial de produção e circulação que se expande para outros produtos pensados a comporem uma narrativa que ultrapassa as fronteiras desta plataforma digital: livros, animações, histórias em quadrinhos, dentre outros, muitos já traduzidos para o Brasil. Do outro lado, há uma recepção social intrínseca destes produtos e conteúdos históricos que os reitera e fortalece em uma produção simbólica e material de mercadorias materializada em camisetas e outros objetos “não oficiais” ou em imagens veiculadas via internet. Este fluxo de imagens e discursos também é apropriado por outros setores que não os consomem diretamente mas fazem seus próprios entendimentos e associações que muitas vezes entram em conflito com todo este campo. O que propomos pensar é o modo pelo qual algumas dessas compreensões sociais se expressam e interpõem no entendimento da série e de seus conteúdos.

 

O passado em WARC: um estudo de caso sobre as páginas da web 1.0

Camila Guimarães Dantas – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

camilagdantas@yahoo.com.br

Como entender a relação de um formato de arquivamento, que corresponde a escolha da página (URL), com as interpretações sobre a história da web? Não se trata de tentar responder a esta pergunta a partir do filtro do determinismo tecnológico, mas sim de apostar na possibilidade de colocar em primeiro plano um objeto técnico para poder a partir dele analisar as relações sociais com agentes e instituições. Esta comunicação reflete sobre as práticas contemporâneas de preservação digital tomando como objeto de estudo o formato WARC ( WebARchive ). Criado pelo Internet Archive e consolidado com a regulamentação, em 2009, do ISO TC46/SC4/WG12, o formato WARC se estabeleceu como o padrão utilizado pelas instituições arquivísticas. A partir de uma perspectiva de História Cultural (Chartier,1998) que busca entender a materialidade dos objetos culturais iremos enveredar numa sondagem sobre as implicações que tal formato pode gerar nas práticas de pesquisa com objetos nascidos digitais. Para entender nosso objeto o enfoque interdisciplinar será importante e a nossa proposta implica em um diálogo com os estudos de software (Fuller, 2003;Manovich,2008) e os estudos da memória social (Ernest,2013;Smelik,2012). Um caso a ser cotejado é a emergência de um método de pesquisa histórica onde a página (website) ocupa um lugar central (Brügger,2005).A proposta é, portanto, tratar das relações entre a materialidade dos acervos, majoritariamente constituídos de arquivos WARC, e as abordagens analíticas daí advindas.

 

O sítio do programa Memória da Administração Pública Brasileira – Mapa: acesso, produção e divulgação do conhecimento em História

Dilma Fátima Avellar Cabral da Costa – Arquivo Nacional

dillcabral@gmail.com

Esta comunicação tem por objetivo apresentar a experiência de construção de um site para divulgação de um trabalho sobre história da administração púbica brasileira, desenvolvido no Arquivo Nacional por um programa de pesquisa criado na década de 1980. O resultado das pesquisas do programa Memória da Administração Pública Brasileira – Mapa, até então apresentado sob o formato de um banco de dados disponível via web, desde 2011 vem sendo disseminado numa página própria, em diferentes meios de divulgação como livros, publicações virtuais e o Dicionário da Administração Pública Brasileira On-Line. O trabalho desenvolvido no programa de pesquisa MAPA se insere no debate atual que tem colocado em questão o papel das novas tecnologias no fazer histórico, o espaço assumido pelas chamadas formas não-científicas na produção e divulgação do conhecimento em História, bem como o seu processo de processo de produção. O alcance do trabalho produzido pelo Mapa nos permitirá também discutir a visibilidade adquirida por espaços de produção não acadêmica de história, como arquivos, centros de memória, museus e revistas de divulgação e, finalmente, a atuação do historiador nestes espaços.

 

Um passado jogável? Simulação digital, jogos eletrônicos e história pública.

Helyom Viana Telles – UNEB

helyom@ufba.br

O presente trabalho foi originado a partir das reflexões suscitadas por uma pesquisa de pós-doutorado que investiga como os jogos eletrônicos podem contribuir para a produção e o compartilhamento de representações, de imagens e de um imaginário sobre o passado, atuando como suporte para a memória coletiva. A produção e o consumo dos jogos eletrônicos têm apresentado aumento notável nas últimas duas décadas. Ora, um dos desafios da história pública é, precisamente, a difusão do conhecimento histórico para amplas audiências. Enquanto a exploração de novos suportes midiáticos e o recurso à digitalização de documentos e arquivos, têm se consagrado como importantes estratégias para tornar o conhecimento histórico público, os historiadores tem explorado pouco o potencial aberto pela simulação digital e pelos jogos eletrônicos para o conhecimento e a difusão da história. Nesta comunicação, pretendemos demonstrar como o impacto da crítica pós-moderna esmaeceu as fronteiras entre história e ficção, conferindo novo estatuto às meta-narrativas históricas. A seguir, exploraremos as diferenças entre simulações e jogos eletrônicos e analisaremos as relações entre os últimos e os processos de construção da consciência histórica. Posteriormente, discutiremos algumas das possibilidades abertas pela simulação digital e pelos jogos eletrônicos para o campo da história pública e apontaremos alguns dos Impactos da simulação digital sobre a consciência histórica e sobre a produção do próprio conhecimento histórico.

 

História pública e plataformas digitais: a temática indígena em análise na web

Marcella Albaine Farias da Costa e Maria Perpétua Baptista Domingues – UFRJ

marcellaalbaine@gmail.com e mp.domingues@yahoo.com.br

O presente trabalho tem por objetivo pensar, pelo viés da discussão relativa à perspectiva da história pública, a potência da web em trazer para o grande público discussões caras à historiografia indígena e à antropologia. Como recorte desse debate destacamos dois sites: Povos Indígenas no Brasil e Povos Indígenas no Brasil Mirim. Ambos integram o portal do Instituto Socioambiental (ISA), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sem fins lucrativos, envolvida na defesa de bens e direitos sociais, relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos. O primeiro (pib.socioambiental.org), conta com informações qualificadas a partir da contribuição de antropólogos, pesquisadores, indigenistas, índios, jornalistas, entre outros, dando assim, visibilidade aos indígenas e seus projetos. O Povos Indígenas no Brasil Mirim (pibmirim.socioambiental.org), é voltado ao público infanto-juvenil e tem por objetivo despertar o interesse e o respeito das crianças às culturas indígenas existentes no Brasil, principalmente a partir do material que disponibiliza às pesquisas escolares. Nessas plataformas digitais estão inseridas discussões acadêmicas recentes em consonância com a historiografia indígena atual. Fazem, portanto, emergir os próprios indígenas como protagonistas de sua história e demandas de direito, desestabilizando versões hegemônicas e buscando deslocar, do lugar da subalternidade, a história das populações indígenas no âmbito da história do Brasil. Por outro lado, também é recorrente na web relatos das pessoas comuns, aqui entendidos como relatos autobiográficos, nos quais, sem filtro científico ou jornalístico, expressam publicamente suas subjetividades, evidenciando preconceitos e visões estereotipadas e congeladas a respeito desses povos. Tais visões cristalizadas, que desconsideram as relações sociais de contato e os processos de mudanças culturais vivenciadas pelos grupos indígenas, são duramente combatidas pelo ensino de história.

 

O uso das novas tecnologias em sala de aula: reflexões preliminares sobre a plataforma educopédia

Teresa Vitória Fernandes Alves e Wilmar Vianna – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

teresavalves@hotmail.com e wilmar.vianna@oi.com.br

A presente comunicação objetiva fazer uma breve apresentação da Educopédia, plataforma que abriga aulas digitais interativas, abrangendo os conteúdos curriculares da educação infantil ao 9º ano do ensino fundamental, contando com recursos educativos, como vídeos, animações, imagens, músicas, podcasts e jogos, criada pela prefeitura municipal da cidade do Rio de Janeiro, em 2010. Nessa parte da exposição, iremos nos centrar em problematizar a utilização das novas tecnologias em sala de aula, explorando as concepções e ideias que orientaram a construção da Educopédia. Em um segundo momento, a reflexão estará centrada nas potencialidades e desafios encontrados na implementação e utilização dessa ferramenta pedagógica no cotidiano de sala de aula, destacando os possíveis ganhos para o processo de aprendizagem dos alunos, com o uso de uma mídia com a qual eles possuem mais familiaridade, mas também ressaltando as dificuldades de incorporação da Educopédia, por problemas que vão da falta de capacitação dos profissionais de educação para uma plena utilização desse recurso pedagógico às deficiências estruturais das unidades escolares, que sofrem, por exemplo, com a falta de equipamentos e de um eficiente sistema de acesso a internet. O presente trabalho pretende abordar o olhar não só do aluno como também dos docentes, destacando os pontos críticos e favoráveis a partir de um bloco de entrevistas feitas com os discentes e docentes.

 

História em via de mão dupla: coleta online de narrativas individuais como ferramenta de Memória Empresarial

Luigi Bonafé De Felice – IBGE

luigibonafe@gmail.com

História em via de mão dupla: coleta online de narrativas individuais como ferramenta de Memória Empresarial

Leandro Malavota e Luigi Bonafé (Historiadores no IBGE e Doutores em História/UFF)

Além de democratizar o acesso a documentos e informações históricas para amplas audiências, as plataformas digitais constituem instrumentos privilegiados para tornar a escrita da história uma via de mão dupla. Por meio de mecanismos disseminados a partir da “Web 2.0”, é possível ultrapassar os usos da internet que objetivam meramente a transmissão de fontes e textos de historiadores para o público. Ao consumo passivo de textos via web podem somar-se processos ativos e interativos que tornem o público leigo e/ou amador protagonista de um intercâmbio dinâmico. Mais que isso, sítios eletrônicos podem e têm sido mobilizados por historiadores públicos para coletar narrativas pessoais, fontes iconográficas e diversos outros tipos de documentos históricos. Caso não sejam objeto de busca por profissionais da História, tais registros do passado recente podem se perder, especialmente quanto tratam-se de registros digitais da vida contemporânea, que precisam ser preservados antes que sejam “deletados”. Esse trabalho apresenta e analisa o processo de elaboração do projeto “Conte sua História” do Memória IBGE. Na fronteira entre História Pública, História Digital e Memória Empresarial, são apresentadas algumas experiências emblemáticas de empresas brasileiras com esse tipo de uso das ferramentas da Web 2.0 para ilustrar as possibilidades, limites e finalidades da construção de narrativas a partir dessa via de mão dupla entre historiadores e seus públicos. Diversos exemplos de sítios eletrônicos brasileiros voltados à coleta de narrativas individuais e documentos históricos iconográficos e audiovisuais online foram pesquisados e comparados com experiências internacionais discutidas no capítulo “Collecting History Online” da obra Digital History, de Daniel Cohen e Roy Rosenzweig, disponibilizada gratuitamente na web pelo “Roy Rosenzweig Center for History and New Media” (CHNM), da George Mason University (Virginia, EUA). As conclusões dessa pesquisa subsidiaram a elaboração de uma proposta de plataforma para a web voltada à coleta e futura disseminação de narrativas individuais e registros históricos (textuais, iconográficos e audiovisuais) produzidos por servidores de uma instituição pública federal a respeito de sua memória das relações que construíram com o trabalho na empresa. O processo de construção dessa proposta serve não apenas à reflexão sobre questões típicas do campo da História Digital como também ao debate sobre questões comumente analisadas no âmbito do debate sobre Históra Pública, com destaque para as características do trabalho historiográfico em território de “fronteira”, que necessariamente envolve profissionais de outras disciplinas

 

Os centros de documentação no mundo virtual

Marcia Teixeira Cavalcanti – IBICT

marciacavalcanti@gmail.com

A proposta deste trabalho é fazer uma análise do website do Arquivo Edgard Leuenroth/AEL, que foi o primeiro centro de documentação brasileiro de História Social a surgir, no ano de 1974, durante o período do governo civil militar. Ainda hoje o AEL se constitui em um local de referência para a pesquisa acadêmica no campo das Ciências Humanas, como também para a população em geral, especialmente a partir da criação de seu website. As mudanças que ocorreram na sociedade em consequência da ampliação do acesso dos indivíduos à internet atingem, obviamente, os processos de transferência da informação, além de todas as instituições que trabalham com a guarda, processamento e compartilhamento de documentos. Além da facilidade proporcionada aos usuários, a popularização da internet também se transformou em um meio para aumentar a visibilidade destas instituições e dos serviços que elas oferecem. O objetivo do trabalho é verificar a forma como o AEL organiza a informação disponibilizada online e gerencia o processo de transferência desta informação na internet, além de analisar as formas disponibilizadas por este centro para se relacionar com seus usuários.

 

 

Construção do Espaço Público em Tempos de Redes Sociais

Sérgio Antônio Câmara – Unilasalle

sergiocamara2@gmail.com

A atual relação entre a tecnologia de comunicação em rede e a construção da esfera pública no mundo contemporâneo conduz a uma revisão histórica dos valores fundacionais da democracia no mundo contemporâneo. Nesse sentido, pergunta-se pelos conceitos de cidadania, democracia e opinião pública no contexto de um mundo virtual supostamente sem fronteiras. Seria talvez excessivo atribuir as mudanças que observamos na relação dos próprios ativistas com os movimentos sociais exclusivamente ao desenvolvimento tecnológico no campo da comunicação. No entanto, é preciso questionar quais são as condições históricas e políticas que possibilitaram à internet constituir-se como espaço público de debate e a que tipo de contexto esse novo espaço nos conduzirá. Tal pesquisa surgiu a partir de um curso ministrado para alunos de graduação do Sistema de Informação (UNILASALLE-RJ), no qual, à luz fundamentos históricos do debate político contemporâneo, elaborou-se uma reflexão crítica acerca do papel das redes sociais no debate político.

 

A História Online: Analisando Sites de História

Janete Flor de Maio Fonseca – UFOP

flormaio@cead.ufop.br

A História Online: análise de sites de consulta sobre a História do Brasil.
Profa. Dra. Janete Flor de Maio Fonseca. DEETE (Departamento de Educação e Tecnologias) – UFOP. flormaio@cead.ufop.br. O Projeto de Pesquisa “A História Online” procura identificar, caracterizar e analisar sites que se propõem a servir de consulta sobre a História do Brasil para estudantes da educação básica. Pretendemos inventariá-los através de suas principais características, temas, abordagens, informações, recursos utilizados, assim como analisaremos quais as concepções de História e o seu diálogo com Historiografia contemporânea. A avaliação inicial dos sites de apoio escolar está sendo realizada a partir da metodologia de avaliação de sítios (sic.) da Web dialogando com autores como Nielsen 1990, Olsina (1999), Boyle (1997), Carvalho (2001) e outros. Baseando-se nessa metodologia, trabalharemos com a análise dos sites a partir dos critérios de Navegação, Apresentação Gráfica e Conteúdo. No que diz respeito à Navegação é preciso saber, por exemplo, se estes espaços são facilmente acessados, se todas as páginas dão informações e facilitam o retorno do usuário, se existe informação on-line, se há um mapa do site, instruções e informações gerais sobre a identificação da comunidade, se os links e documentos são facilmente acessados, com que freqüência há a atualização da página, a existência ou não de um cadastro de visitantes e informações sobre a autoria dos textos, fotos, vídeos, etc. Quanto a apresentação gráfica é importante levantarmos informações sobre a legibilidade da página. Se é uma página leve, sem poluição de frames, imagens, propagandas, etc. A visibilidade das letras, o acesso aos textos, a utilização de caracteres animados, as fontes, cores, disposição dos conteúdos.. Já sobre o Conteúdo numa primeira parte se dará uma avaliação mais técnica especificando se há informações mínimas sobre os autores, sua formação, interlocutores, parceiros, etc. A existência ou não de uma diversidade de conteúdos, amplamente desenvolvidos ou apenas fragmentados, além da atualização regular dos conteúdos. Mas é necessário também verificar a estrutura dos textos como a distribuição de parágrafos, a linguagem formal ou informal utilizada, assim como a existência de publicações, indicações de leituras, diálogos com outras páginas. Verificaremos posteriormente se os sites de Ensino de História do Brasil objetivam a construção de um conhecimento histórico crítico em diálogo com as pesquisas mais recentes no campo historiográfico, e com o uso de novas metodologias do ensino da História. Avaliaremos assim, se eles realizam a tarefa de mediar o diálogo entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento escolar, e qual sua contribuição efetiva para o Ensino da História do Brasil. Paralelamente refletirmos sobre o uso da internet para a difusão, o ensino e a aprendizagem da História, investigando se tratar de um caminho para a renovação de práticas e metodologias, ou se há um uso conservador desta como ferramenta. Discussão importante de ser realizada conjuntamente com os professores de História.