GT 06 – História Pública e Educação


GT 06 – História Pública e Educação

 

Coordenadores:
Everardo Andrade (UFF)
Fernando Penna (UFF)
Thaís Nivea Fonseca (UFMG)

 

O Ensino de História no Estado do Rio de Janeiro

Gracilda Alves – UFRJ

ggracilda@gmail.com

Estou coordenando um grupo de professores de História responsáveis pelo processo de Formação Continuada. Este projeto iniciou-se com a produção do Currículo Mínimo de História que foi feito a partir de encontros presenciais e virtuais com os professores regentes. Este foi baseado em competências e habilidades que teve como preocupação central a preocupação de tornar a escola em um lugar de produção de conhecimento histórico. Neste momento estamos na segunda fase deste projeto. Nesta fase a equipe é responsável pela produção de material didático e roteiros de ação para cada um dos bimestres de acordo com o Currículo Mínimo aplicado pelo Estado. Nesta etapa estamos produzindo também material didático para o professor e para o aluno da NovaEja.

 

As meninas do Carmela Dutra: um retrato da formação de professores na rede pública estadual do Rio de Janeiro

Guilherme José Motta Faria – UFF

gguaral@ig.com.br

Muito se tem debatido sobre a decadência da educação brasileira. O estado do Rio de Janeiro, no quadro geral do país, apresenta níveis alarmantes de ineficiência. O sucateamento da escola pública estadual é um fenômeno que foi sendo delineado na virada dos anos 1970/80 e tem sido aprofundado nas últimas décadas. E como está o Curso Normal, onde são formados os futuros profissionais da educação, responsáveis pela “formação” intelectual das crianças, nos seus primeiros anos de escolaridade? O que pensam as alunas e alunos dos cursos de formação de professores na rede estadual de educação? Ao pensar nestas questões mudei a rota de navegação em minhas aulas de história no Instituto de Educação Carmela Dutra, no bairro de Madureira, procurando trabalhar a noção de que o processo histórico está sendo construído por diversos agentes, que geralmente são fadados a invisibilidade. A partir de produção de textos “Eu também sou História”, onde os alunos foram convidados a contar sua trajetória de vida, relatando também as histórias de seus pais e avós, “13 de maio: o que temos a comemorar?, onde debateram a condição dos negros no Brasil, emprego, racismo e preconceito e “Um raio X da Escola”, onde opinaram sobre a escola em si, a educação pública e o desejo de se tornar professores é possível começar a iluminar as condições e perspectivas da formação de professores na rede estadual de educação. A pesquisa, em andamento, desde maio de 2013, já possui um acervo de 600 textos/documentos, entrevistas com professores, diretores e ex-alunos da escola que permitem emergir um retrato de uma história pública em processo.

 

A Política Pública e o Financiamento Escolar das crianças carentes em um grupo escolar de Ubá/MG (1932-1941)

Roberta Geraldo Pereira – UFV

roberta.geraldo@ufv.br

Este trabalho discute no âmbito da história do poder público brasileiro, uma etapa do financiamento escolar das crianças carentes, a partir da criação das Caixas Escolares no estado de Minas Gerais, no período de 1932 a 1941. Após fazer um breve histórico sobre a regulamentação e os objetivos da Caixa Escolar no Império e na Primeira República, foi tecida considerações a respeito da criação e desenvolvimento desta entidade beneficente no estado mineiro e o papel social exercido por ela. Como objeto de estudo, analisou-se o funcionamento da Caixa Escolar Raul Soares (CERS), pertencente ao Grupo Escolar Cel. Camillo Soares (GECCS) do município de Ubá/MG. Para realização destes objetivos foi feita: revisão de literatura a respeito do funcionamento das Caixas em Minas Gerais; análise das atas de reunião do GECCS dos anos de 1937 a 1941, do Estatuto Interno de Reorganização da CERS do ano de 1937, e do livro “Dados dos Alunos” de 1936 a 1937, todos encontrados no arquivo morto da Escola Estadual Cel. Camilo Soares (antigo GECCS); e pesquisa no jornal da cidade de Ubá, “O Lábaro”, entre os anos de 1930 e 1940. Como resultado do estudo, concluiu-se que esta política pública representou uma omissão do governo para com o financiamento escolar das crianças carentes, que transferiu para a sociedade a responsabilidade de custear tais despesas.

 

No processo de aglutinação das escolas rurais em Divinópolis, o confronto entre o poder público e a população local: o que nos dizem os relatos de líderes comunitários, professoras e ex-alunos

José Heleno Ferreira – Fundação Educacional de Divinópolis / Universidade do Estado de Minas Gerais

zeheleno.ferreira@gmail.com

Este estudo analisa o processo de aglutinação das escolas rurais no município de Divinópolis, tomando como marco regulatório a criação, em 1997, da Escola Municipal Professora Veneza Guimarães de Oliveira, que aglutinou algumas das escolas rurais em torno do distrito de Santo Antônio dos Campos, em Divinópolis/MG. Para isso, além da pesquisa documental nos arquivos da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e Secretaria Municipal de Cultura (SEMC), buscou-se, através da metodologia da história oral, ouvir os sujeitos envolvidos com o intuito de compreender e analisar a forma como os mesmos o perceberam em 1997 e como o percebem atualmente. Trata-se de um trabalho de pesquisa em interface com a extensão, realizado através do projeto “Habilidades artesanais e atividades culturais como contraponto para a aglutinação das escolas rurais”, desenvolvido entre os anos 2009 e 2011, no Centro de Memória da FUNEDI – unidade associada à Universidade do Estado de Minas Gerais, com o apoio da FAPEMIG. A interface com a extensão se fez através da oferta de oficinas de teatro, dança e artesanato (bordado e pintura) em quatro comunidades rurais que tiveram suas unidades escolares fechadas a partir do processo de aglutinação. As oficinas foram definidas conforme opção da comunidade rural, após reuniões dos membros da equipe de trabalho envolvida no projeto de pesquisa com o Conselho Comunitário local. Privilegia-se, neste relato, os resultados da pesquisa documental e, mais especificamente, a análise dos depoimentos de lideranças comunitárias e professoras, através dos quais é possível perceber o conflito entre o poder público e os sujeitos das comunidades rurais, bem como o desafio de implementação de políticas públicas num processo em que as vozes dos sujeitos diretamente envolvidos sejam ouvidas, bem como a necessidade de costurar com habilidade a transição para o novo.

 

A Formação de Professores em diálogo com diferentes públicos: História Local e Patrimônio Cultural no Sul da Ilha de Santa Catarina

Mônica Martins da Silva, Andréa Ferreira Delgado – UFSC

moniclio@uol.com.br

Este trabalho tem como objetivo apresentar alguns fundamentos teórico-metodológicos do projeto “Formação de Professores e Educação Patrimonial – Experiências na Educação Escolar no Sul da Ilha de Santa Catarina”, desenvolvido na área de História, por meio do “Programa Institucional de Iniciação à Docência” (PIBID) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em conjunto com as Escolas de Educação Básica “Dilma Lúcia dos Santos” e “Batista Pereira”, ambas da rede municipal de Florianópolis, durante três semestres. Do conjunto das etapas desenvolvidas, destacam-se a realização de trabalhos de Campo nos locais onde estão inseridas as escolas, de modo a promover a aproximação e a sensibilização dos estudantes bolsistas, professores supervisores e professores coordenadores acerca das características das comunidades envolvidas, problematizando a relação entre o presente e o passado. Essas atividades também foram exercícios empíricos de observação, coleta de dados e análise de determinados aspectos do campo do patrimônio propostos como temas para as pesquisas realizadas pelos bolsistas de iniciação à docência e supervisores. Em outra etapa do trabalho ocorreu a investigação histórica realizada acerca de temas associados ao patrimônio cultural, promovendo a relação entre prática pedagógica e prática de pesquisa na formação do professor de História e a interação com as comunidades da Armação e do Ribeirão da Ilha. Os bolsistas praticaram o ofício do historiador de forma relacionada com a reflexão sobre história escolar: realizaram pesquisa bibliográfica, coletaram documentos em diferentes instituições e entrevistaram moradore(a)s dos bairros da Armação e do Ribeirão da Ilha. Em função da amplitude da pesquisa desenvolvida e dos limites desse trabalho, daremos destaque para a discussão de dois temas pesquisados pelos bolsistas que atuaram na localidade do Ribeirão da Ilha. O primeiro deles é Pesca e Maricultura: Saber Fazer, Cultura Material e Turismo no Ribeirão da Ilha, temática que se caracteriza pela discussão da pesca por meio do saber fazer dos pescadores e da cultural material que constitui essa atividade, assim como da maricultura, identificando alguns sujeitos envolvidos com esses ofícios na localidade, as características desse trabalho e os sentidos atribuídos por eles no decorrer de um processo histórico demarcado entre os anos de 1950 e os dias atuais. O segundo tema é: Festas, Tradições e Patrimônio Cultural: A Festa do Divino Espírito Santo no Ribeirão da Ilha que permitiu investigar essa festividade como uma prática social dos moradores constituída de diversos aspectos simbólicos elaborados a partir de uma tradição popular católica e composta de diferentes elementos materiais e imateriais que constituem formas particulares de culto ao Divino Espírito Santo na localidade. A partir da pesquisa realizada, no exercício do ofício de historiadores e de professores, os bolsistas de iniciação à docência produziram um conjunto de materiais didáticos para compor a Caixa de História intitulada “Educação Patrimonial e História Local” que foi resultado do trabalho desenvolvido no decorrer do processo e que será disponibilizada para as escolas do Sul da Ilha de Santa Catarina para ser apropriada e utilizada pelos professores conforme os seus interesses e necessidades.

 

 

Os manuais de didática da história destinados a professores no Brasil e a constituição de um habitus docente da história.

Osvaldo Rodrigues Junior – UFPR/ Faculdades Integradas de Itararé

osvaldo.rjunior@gmail.com

Apresenta resultados de investigação que analisa o conteúdo de manuais de Didática da História produzidos no Brasil, entendendo que, pela sua natureza, esses manuais contribuem para estabelecer relações entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento histórico escolarizado. Parte da compreensão de que os livros didáticos são artefatos culturais que publicizam a História no Brasil, porque apresentam conteúdos da História a serem ensinados, e que os manuais de Didática da História se diferenciam deles porque sua função é orientar os professores para ensinar a disciplina, sugerindo diferentes formas de aprendizado da História. A análise foi realizada em 7 (sete) manuais produzidos entre os anos de 2003 e 2012, com os seguintes resultados: 1) os manuais constituem-se como pontes entre o saber acadêmico construído e o saber escolar; 2) os manuais apresentam diferentes concepções de Didática da História; 3) os manuais contribuem para a construção de um habitus docente específico da História.

 

 

A encenação pública da História no sesquicentenário da independência: amar a Pátria, Idealizar o progresso e consumir no Brasil Grande.

Francisco Egberto de Melo – URCA

egbertomelo13@yahoo.com.br

Em 07 de setembro de 1972, capitais e sedes de municípios brasileiros se mobilizaram para comemorar o Sesquicentenário da Independência. Desfiles estudantis e militares ocuparam as ruas das cidades para celebrar o dia do “grito do Ipiranga”. Após meses de ensaios, estudantes com roupas bem engomadas nas vésperas por mães dedicadas marcharam em formação disciplinadamente vigiadas por professores e instrutores, acompanhados de bandas de música que tocavam dobrados e marchinhas. Os desfiles cívicos faziam parte de ampla campanha feita nos meios de comunicação, nos discursos presidenciais e nas escolas, iniciada no ano anterior com o retorno dos restos mortais de D. Pedro I ao Brasil. Apelando-se para as práticas cívicas com recorrência à memória nacional elaborada a partir da “comunidade imaginada”, referenciava-se um constructo continuo e sequenciado de heróis, datas e fatos. Os cortejos procuravam contar uma história fundamentada na unidade nacional iniciada com os as alegorias do “descobrimento do Brasil”, passavam por Tiradentes e findavam com as reverências aos feitos e obras do Regime Militar. A análise de jornais, legislação e documentação escolar ajudam a compreender como o governo Médici mobilizou diversos equipamentos com o objetivo de (re) elaborar a memória nacional nos currículos, práticas escolares e rituais cívicos das comemorações do Sesquicentenário da Independência, nos espaços de educação formal e não-formais, com vistas á unidade nacional. Foram mobilizados diversos instrumentos de elaboração e divulgação de uma cultura cívica atrelada a uma história com vistas à unidade/identidade nacional que extrapolava o ambiente escolar para fortalecer o Estado fundamentado nos princípios da Segurança Nacional e do Desenvolvimentismo. Destaca-se a divulgação de uma história pública respaldada na memória nacional expressa em linguagens, valores e ideias nas ruas, praças e avenidas, ensinava-se e encenava-se a História nos espaços públicos com festas e apelos cívicos em estratégias pensadas para monumentalizar um passado que não fora vivido pelas gerações do presente, mas que eram experienciadas em desfiles, horas cívicas, hinos, músicas, imagens e sons. Elaborava-se a memória de um Estado Nacional para obter a lealdade dos brasileiros com o regime militar, ao mesmo tempo em que a transmitiam-se valores culturais e morais como amálgama do sentimento pátrio.

 

 

Da “Aceleração” ao “Mundiar”: experiências, panoramas e perspectivas do ensino de História no Pará à luz de políticas públicas no ensino fundamental e médio no último decênio.

Anderson Rodrigo Tavares Silva – Secretaria de Estado de Educação do Pará – SEDUC

rodrigo_atsilva@yahoo.com.br

A imagem recente que vem se construindo acerca da História pública no Brasil encontra-se ainda excessivamente carregada de valor midiático. Faz-se mister reconhecer que uma análise aprofundada sobre o panorama do processo de divulgação e aceitação da História não pode relegar ao segundo plano a função precípua da maioria dos discentes que saem anualmente dos cursos de graduação em História de todo o Brasil: lecionar. O ensino da História ainda é uma das formas mais arraigadas de sua divulgação. Não obstante toda conjuntura de surgimento de novas tecnologias que permitam ao cidadão comum poder obter as mais variadas formas de acesso à informação, é ainda no cotidiano das escolas que se fortalece a imagem que as pessoas constroem sobre essa disciplina. Sem pretender diminuir a importância de outras formas de acesso e divulgação da História como os museus, sites e as recentes mídias sociais, imputa-se uma necessidade constante de reflexão sobre o ensino da disciplina História. Nessa perspectiva, procurou-se, construir um embate entre a história pública e a educação a partir de experiências no ensino de História dentro do contexto de funcionamento do projeto conhecido como “Aceleração da Aprendizagem”. Este projeto educacional funcionou em Belém e região metropolitana entre os anos de 2004 a 2013 e foi implementado no nível fundamental (6º ao 9º ano) para tentar solucionar o problema da defasagem idade-série crescente em vários cenários educacionais do Brasil e particularmente da Amazônia. Contudo, o ano de 2013 marca o final abrupto do projeto e deixa uma lacuna no que concerne a políticas públicas na área de educação no estado do Pará. Recentemente, o governo do estado sinalizou a implementação de um novo projeto intitulado “Mundiar”, previsto para ter início a partir do mês de agosto próximo, o qual teria um enfoque semelhante ao já idealizado pelo antigo projeto: diminuir a defasagem idade-série no estado do Pará a partir de uma parceria público-privada entre governo do Estado e a Fundação Roberto Marinho. Contudo, apresentando uma mudança radical ao propor a transformação da figura do professor de História em tutor multidisciplinar. Diante dessa conjuntura, pretende-se traçar um panorama sobre o ensino de História no Pará no último decênio a partir de uma análise sobre estas duas perspectivas de políticas públicas em educação.

 

Narrativas museais: diálogos possíveis entre a história pública, acadêmica e ensinada

Jezulino Lúcio Mendes Braga – UFMG

luciohistoria@yahoo.com.br

Quais diálogos possíveis entre a história pública e a produção historiografica na produção das narrativas museais? Quais possibilidades de uso pedagogico do museu para o ensino de história? Que diálogos são possíveis entre a história ensinada e a história publicizada nos museus? Consideramos que o museu é essencialmente narrativo e que no caso dos Museus de História para além da museografia e museologia há diálogos com a história acadêmica na ordenação dos objetos e imagens e produção das legendas. Entretanto não existe um compromisso com a história acadêmica no sentido de reprodução do que é debatido, pesquisado e produzido pelos historiadores. Então, como classificar a história narrada nos museus? Esse debate é urgente a partir do momento em que se torna frequente o uso pedagógico do museu para ensinar história. Ainda que a aprendizagem histórica não seja exclusividade da escola, a história em sua forma escolar não é praticada em outros espaços nos quais seus conteúdos sejam publicizados. É claro que a todo o momento há negociações entre a história como disciplina escolar e a história pública, mesmo porque a escola dialoga com outras instituições na sociedade. Há também aproximações entre a história ensinada e o saber referente, sem que a primeira seja uma simplificação da segunda. Esse texto pretende explicitar os diálogos possíveis entre história acadêmica e história pública no uso pedagógico do Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte-MG. Partimos de uma pesquisa feita com docentes frequente ao museu e que realizam projetos nas escolas para o ensino e aprendizagem de história.

 

 

Sentidos, linguagem e ideologia da educação de jovens e adultos (EJA)

Marilda de Castro Laraia – Universidade do Vale do Sapucaí

marildalaraia@gmail.com

A presente pesquisa tem como objetivo refletir acerca do livro didático “É bom aprender” editado no ano de 2009, que vem atender as exigências da Resolução nº 51 de 16 de setembro de 2009, que propõe a organização de material didático de uso exclusivo da Educação de Jovens e Adultos. Atendo-se as produções de sentidos engendradas por este livro didático e, também, realizando entrevistas, fazendo uso da metodologia da História Oral com alguns alunos do Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos (CMEJA) da cidade de Pouso Alegre, localizada no sul do Estado de Minas Gerais, buscando entender as formas discursivas que emergem do processo de ensino-aprendizagem e seu significado para os educandos da EJA. O desenvolvimento de políticas de formação de pessoas jovens e adultas, consoantes a esse novo paradigma de educação continuada, é tema polêmico, mas permite que se identifiquem algumas indicações mais ou menos consensuais. A primeira delas relaciona-se ao reconhecimento do direito dos indivíduos traçarem com autonomia suas próprias biografias formativas. A segunda recomenda-se modificar as práticas de planejamento das agências formadoras, levando-as a realizar um “giro” da oferta para a demanda, ou seja, deixar de conceber a oferta educativa a partir de padrões únicos (quase sempre referidos aos parâmetros da educação escolar de crianças e adolescentes), passando a concebê-la a partir da diversidade de demandas concretas dos diferentes segmentos sociais. A terceira implica reconhecer que não apenas a escola, mas muitas outras instituições e espaços sociais têm potencial formativo – o trabalho e as empresas, os meios de comunicação, as organizações comunitárias, os equipamentos públicos de saúde, cultura, esportes e lazer etc. –, aproveitando ao máximo esse potencial e reconhecendo a legitimidade do conhecimento adquirido por meios extraescolares.

 

 

Mídias, ensino de História e divulgação do conhecimento histórico

Thais Nívia de Lima e Fonseca – UFMG

thaisnlfonseca@gmail.com

Neste trabalho procura-se discutir alguns aspectos da relação entre a produção do conhecimento histórico, seu ensino como disciplina escolar e as diferentes formas de sua divulgação fora da escola, por meio de diferentes mídias, colocando em foco instrumentos de divulgação científica como revistas impressas e eletrônicas, sites e blogs, voltados para o público não especialista, sem finalidades didáticas explícitas, mas que vem sendo, cada vez mais, utilizadas por professores de História em diversos níveis de ensino. Como elemento norteador da análise, utiliza-se a noção de história pública que considera as múltiplas possibilidades de instrumentos e de espaços para a produção e a divulgação do conhecimento histórico, fora do universo acadêmico.

 

 

O público na escola: desafios da experiência de expansão da sala de aula em blog e rede social

Vitória Azevedo da Fonseca – Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

vitoria.azevedo@gmail.com

Nesta apresentação, relato a experiência de articular o conteúdo curricular do ensino de História da Rede Pública do Estado de São Paulo entre o espaço da sala de aula e o espaço público/virtual através do Blog “Aprender História na Escola”, criado em 2012, e analiso os desafios e problemáticas em torno da publicização das práticas cotidianas da sala de aula, bem como os desdobramentos pedagógicos e envolvimento de pais e alunos na experiência. Através do Blog “Aprender História na Escola” os alunos, pais, e o público em geral, podem acompanhar os conteúdos e atividades trabalhadas na escola. Na produção do material destinado ao espaço público, vários são os desafios. Em primeiro lugar, a escolha da linguagem a ser usada, tendo em vista o público infanto-juvenil do Ensino Fundamental II; a necessidade de atualização constante e a constante preocupação em criar novos textos a cada nova experiência. No entanto, há uma dinâmica estimulante entre as reflexões geradas a partir dos questionamentos dos alunos e transformadas em postagens e as postagens que originam novas abordagens para a sala de aula. Assim, a dinâmica entre o espaço público e a sala de aula tem sido estimulante para o aprendizado de alunos e professor.

 

A diversidade das histórias públicas para além da mera divulgação e em sua pretensão de verdade

Fernando de Araujo Penna – UFF

fernandopenna@id.uff.br

O presente trabalho tem por objetivo problematizar a natureza da história pública e a sua unidade pensada como resultado de processos contínuos de publicação. É necessário questionar a ideia de que a própria história acadêmica tornar-se-á pública em uma versão adaptada através da escola, dos museus, dos livros de romance histórico, dos documentários, etc. Estas histórias públicas não se limitam a divulgar algo produzido em outro lugar, mas são, elas mesmas, criações originais que possuem diferentes finalidades. Frente a esta constatação, defendo ser necessário diferenciar, dentre as histórias públicas, aquelas que têm um compromisso com a verdade histórica. Nos casos em que este compromisso é mantido, a historiografia acadêmica constitui-se em um interlocutor necessário para a manutenção desta pretensão de verdade.

 

A revista O Tico-Tico e a formação de uma consciência histórica entre a infância da Primeira República

Roberta Ferreira Gonçalves – Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro

robertagon@yahoo.com.br

A revista O Tico-Tico foi um dos primeiros periódicos ilustrados voltados para a infância brasileira. Criado em 1905, foi considerado por pais, mestres e intelectuais como um dos principais apoios informais à instrução e à formação moral das crianças até a década de 1950. Concebido como um instrumento moderno de divertimento infantil, a revista foi idealizada como uma estratégia de ação educativa capaz de apoiar a crença muito defendida pela intelectualidade da Primeira República da superação dos males nacionais através da educação. Com conteúdo variado que ia de histórias em quadrinhos até jogos de montar, a revista buscou criar uma identidade relacionada a moral burguesa e aos valores nacionais. Dentro de uma perspectiva cívico-pedagógica, a revista também se notabilizou pela construção de narrativas históricas, que ao lado do apoio à língua pátria, eram considerados como elementos formadores da consciência patriótica do jovem brasileiro. O conhecimento histórico era ali representado como uma forma de criar uma identificação dos pequenos leitores com a nação e com o seu passado histórico, simbolizado por uma herança colonial e escravista que deveria ser superada. A presente comunicação pretende analisar a criação de um discurso histórico pela revista O Tico-Tico durante a primeira década de sua existência. Orientada pela noção de consciência e cultura histórica, pretende-se perceber como as diferentes temporalidades marcam a produção de um discurso voltado para a formação do que se imaginava ser o futuro cidadão em um contexto marcado por profundas mudanças políticas, sociais e culturais.